quarta-feira, maio 07, 2008

A Página Arrancada de um Livro

I HAVE A TEAR IN MY SOUL

Dói-me a cabeça de pensar;
Dói-me o coração de amar;
Dói-me a alma de sofrer.

Tenho uma lágrima na alma. Não posso negá-la e não sei como tirá-la, pois só tu podes fazê-lo. Aliás, toda a minha alma é uma lágrima, agora que me deixaste. Entraste como um raio na minha vida, e como um raio, foste directamente ao meu coração, partindo-o, e destruíste-me. Ficaram apenas as recordações, folhas amarelas de Outono caindo como lágrimas, e voando impelidas pelo vento, recordações do que vivemos, tempos felizes e inocentes, dias em que as nuvens se desfaziam em gotas de tranquilidade e alegria que choviam sobre mim. Agora apenas as recordações e as saudades que sinto de ti. Todas as manhãs acordo a pensar em ti. A pensar que não estás mais comigo. A pensar que já não vou passar os dias da minha vida a acordar ao teu lado e a poder ver o teu rosto pela manhã. Tocar a tua pele, os teus cabelos, ver-te abrir os olhos todos os dias, sorrindo para mim. Pensar que nunca mais vou beijar a tua alma e assim matar a sede que a minha sente. Porque sinceramente...? Ainda não consegui esquecer-te. Sinceramente...? Pensei que ia ser mais fácil, sobretudo por já ser a segunda vez que passo por isto. Mas continua a ser difícil, apesar de não se comparar de maneira nenhuma à dor de um primeiro desgosto de um primeiro amor. Porque acredites ou não, eu amei-te tanto quanto me foi possível. Talvez não fosse suficiente para ti e talvez estejas desiludida comigo por esperares mais ajuda da minha parte. Fiz tudo o que sabia e podia e nunca achaste suficiente.
Contudo, eu amei-te. Mais do que possas algum dia vir a saber. Mais do que possas algum dia acreditar. Talvez mais do que alguma vez venha a amar outra pessoa. Infelizmente, apesar de todo o apoio que te dei nos momentos difíceis, parece que não consegui fazer o suficiente para o perceberes; para ti as minhas demonstrações não eram válidas e tu começaste a pensar que eu tinha mais amor aos objectos e às coisas do que a ti. O apoio, o carinho, as páginas rasgadas dos livros, os poemas, aqueles quatro meses e o respectivo regresso (achas mesmo que te deixaria regressar se não te amasse? Achas que mais alguma vez na vida vais encontrar alguém que te deixe regressar? Estás tão enganada...) e todas as outras coisas sem fim que não me lembro pois já se perderam no tempo. Deveria ter-te dito mais vezes o que sentia por ti. Todos os dias. Todas as horas. Todos os minutos. Todos os segundos. E se calhar, quando o disse não ouviste bem. Deveria ter gritado. Gritado alto para todo o mundo ouvir. Deveria ter dito ao vento, deveria ter escrito na superfície da água para que permanecesse para sempre a certeza de que um dia te amei. Mas não o fiz, e tu pensaste que eu não te amava. Mais uma vez te digo: se soubesses...
Mas tu não sabes. Não queres saber. Houve um tempo em que quiseste, mas por uma razão ou por outra, deixaste de querer saber. Talvez porque não tenho ambições, talvez porque tivesse havido demasiada rotina, talvez porque sou bruto; afinal ninguém é perfeito, não acredites nisso. Certa vez perguntaste-me porquê. Porque sou assim? Somos o que somos e cada um é como é; nem mais nem menos. Ninguém é perfeito. Mas nas tuas próprias palavras fui um dos seres mais queridos que já conheceste, um anjo que te estendeu a mão. Há igualmente quem sempre tenha dito e há quem diga cada vez mais bem de mim. Será que essas pessoas estão erradas? Ou se calhar és tu que (já) não estás certa. Talvez porque deixaste de sentir por mim aquilo que eu quero acreditar que realmente sentiste um dia. Aquilo que fazia brilhar os teus olhos cor de mel quando me olhavas nos meus. Esse teu olhar era algo verdadeiro que vinha de dentro de ti, do teu coração. Aquecia-me a alma. Eu poderia ganhar vida apenas através dele, bastava tu quereres. Mas desapareceu. E o pior de tudo é que sei quando e porquê. Mas agora isso não é importante. O que importa realmente é que me tenho sentido muito mal sem ti. Sem apetite, sem sono, mal disposto. O meu estômago não quer aceitar comida e o meu coração desfaz-se todos os dias. E não digo isto para teres pena de mim, mas para que saibas que te amei.
Sim, eu sei que fui e sou egoísta. Mas amo-te e queria-te só para mim. As estrelas escreveram nas nuvens que o céu nos fizera um para o outro. Então porquê? Porque andámos tanto tempo à deriva, duas penas levadas pelo vento, afastadas durante tanto tempo, em vez de voarem uma para a outra? Acabámos por nos encontrar, mas era mesmo necessário um desvio tão grande? Foi dessa maneira que nos fizemos quem somos e se assim não fossemos, talvez nunca nos cruzássemos e o nosso amor nunca ganhasse vida. Mas... porquê assim? Não sei. Não sei sequer se o próprio destino poderá alguma vez responder. Afinal, o destino nunca amou.
O céu nem sempre é azul, o sol nem sempre brilha, mas eu continuo o mesmo. Posso ter atitudes não coincidentes, mas nem os anjos são perfeitos. O anjo que fui ainda sou, nunca deixei de o ser. Tu é que deixaste de ver isso, talvez por estares demasiado perto. O Sol vai continuar a nascer, a brilhar e a pôr-se, a lua vai continuar prateada, as estrelas continuarão no firmamento e eu vou continuar a ser eu. Mas tu deixaste de ser quem um dia foste. Aquela que com um olhar tocou o meu coração, que chegou ao fundo da minha alma, que única e verdadeiramente fez viver o meu ser. A menina inocente dos doces sonhos de infância. A minha “domnizele”, cujos olhos sorriam quando me viam. Ou que por alguma razão choravam por mim. Sei que nunca deveria tê-los feito chorar, mas eles choraram porque amavam os meus. Afinal, é isso o amor. A domnizele que pediu um desconto por já ter sofrido muito e que queria construir um futuro a meu lado e me fez acreditar que tal era possível. Que chorou quando lhe escrevi um poema e disse que era a primeira vez que lhe tinham dado um. Essa domnizele desapareceu.
Contudo, e independentemente das razões que tenhas tido, pergunto-me porque nos conhecemos nós? Para que demos nós passos em direcção um ao outro, se essa era a direcção errada? Para aprender algo? Para ganhar forças e conhecimento para percebermos quanto vamos gostar da pessoa que encontremos numa próxima relação que cada um de nós venha a ter? Para sofrer? Para receber dos céus um sinal que nunca mais conseguiremos repetir enquanto formos vivos?Seja como for, nada disto interessa agora. És feliz e isto não é um filme ou um livro em que bastaria eu dizer algo profundo ou fazer algo grandioso e louco para tu voltares para mim. E talvez assim seja melhor. Deixemo-nos ficar apenas com o fetiche que há quem diga termos um pelo outro. Até porque nem sei se algum dia chegarás a ler esta carta. A finalidade dela não é essa. É apenas eu desabafar comigo, contigo, dizer tudo o que ficou por dizer. Não olho para trás e contudo morro com cada passo que dou. E dói com cada batimento do coração.

13 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Bebenuxo, "amar é preciso" (não me lembro quem disse isto mas quem o fez tinha razão) por isso ama cada dia, ama os pormenores onde a beleza se condensa de forma quase excruciante de tão intensa, ama e deixa que a vida te mostre que é nos cantinhos de um Shire de felicidade que o verdadeiro amor reside e deixa de te atormentar com dores e sofrimentos que não valem a pena.
Tem, porém, a certeza que para lá dos fumos e nuvens ominosas de Mordor há sempre um céu estrelado de esperança.

Muitos beijinhos da Iolanda Tolkien-Gawain

quinta-feira, 8 de maio de 2008 às 21:56:00 WEST  
Blogger Tiago Coelho said...

Deixa-te de coisas, vem mas é para a flor de liz beber uma cerveja... Esta é muito mais fiel que qualquer mulher...
Deixa-te de histórias de encantar...
Deixa-te de procurar a ilusão, a fantasia, ou quem nela vive...
Vive a vida, vive a realidade e deixa de lado aquilo que um dia deixou de ser o que nunca foi...
Até breve...

quinta-feira, 15 de maio de 2008 às 12:54:00 WEST  
Anonymous Anónimo said...

Bem, que profundo. Isso é que era amor. Ela devia ser realmente especial. Supondo, claro que tudo isso aconteceu realmente? Ou estás apenas a imaginar?

terça-feira, 20 de maio de 2008 às 15:34:00 WEST  
Blogger Anjo Imperfeito said...

Sim, realmente foi. Embora haja alguém que tenha tido dúvidas. E sendo assim, tudo isto aconteceu. Mais ou menos. Talvez seja real. Ou talvez não. Lol. A sério, se isto fosse filme diria que é baseado em factos verídicos, mas que os nomes e locais foram alterados. Digamos que quem lê
isto vê algo, mas quem o viveu vê uma coisa um pouco diferente. Porque tirando o título (houve realmente uma página arrancada a um livro) não se posso divulgar mais nada do que aconteceu. Pelo menos por completo.
Tem de ficar para sempre entre nós e em nós. Ou pelo menos... em mim.

quarta-feira, 21 de maio de 2008 às 13:24:00 WEST  
Anonymous Anónimo said...

Devias era ter vergonha de expor a vida dos outros em blogs...

segunda-feira, 26 de maio de 2008 às 16:51:00 WEST  
Blogger Anjo Imperfeito said...

A vida também é minha;
O blog é meu;
Não expus nada de grave (ou será que a pessoa sente vergonha pelas acções que tomou? Era uma razão para não querer ver nada exposto);
Vergonha devias ter tu, fazes um comentário e não assinas, deixando as pessoas sem saber quem és.

quinta-feira, 29 de maio de 2008 às 18:15:00 WEST  
Blogger Tiago Coelho said...

Já pensaste em mudar o nome do blog?...
Talvez para Passatempo Imperfeito...
Sim, porque tu de quem realmente falas, penso que para essa pessoa, não passaste dum passatempo... E não vale a pena negar as evidências, pois se não o fosses, ainda hoje com ela estarias... Mas a vida é feita de encontros e desencontros, umas vêm em lugar de outras, as pessoas vão, as pessoas vêm... O que vale aqui dizer que por momentos foste feliz, que viveste a vida da forma que melhor soubeste. E para mim, amigo, para mim apenas interessa que se tenha vivido a vida, pois esta é curta, estamos por cá numa passagem, a vida...
A vida foi feita para se viver...
Até breve

quinta-feira, 29 de maio de 2008 às 23:50:00 WEST  
Blogger Anjo Imperfeito said...

Eu não diria que foi um jogo ou uma brincadeira. Diria mais que foi... um desentendimento. Uma não correspondência ao que pretendia. Um “engano” naquilo que pretendia. Mas porque “you never find the future in past” não adianta falar disso, por melhor que tenha sido. Por mais inigualável. Por mais inolvidável e penetrante nas profundezas da minha alma.
Aliás, “o passado foi l’átras”. Decisões boas ou más, o tempo o dirá. Apenas me posso queixar que foram precipitadas, ou não dariam lugar a acontecimentos que, mais uma vez, já não interessa repetir. Não quero comprar guerras por causa do passado. Quero construir futuros e não ilusões. Não adianta fazer planos, pois os sonhos podem desfazer-se como bolas de sabão. O melhor mesmo é viver um dia de cada vez. Então, para fechar a discussão, termino pondo um ponto final nas reminiscências do passado. Deste modo:

Será que vivo aceso no teu mundo? Que te persigo num sono profundo? Serei um sonho, ou um pesadelo? Talvez o final de uma história inacabada...

I still hear your voice, when you sleep next to me.
I still feel your touch in my dreams.

Set me free, why don't you babe
Get out of my life, why don't you babe
Why do you keep me hanging' on?
A partir de hoje não penso mais em ti. And now, we are free.

quinta-feira, 19 de junho de 2008 às 12:27:00 WEST  
Anonymous Anónimo said...

gaijinho das vilas boas! Tás mesmo a precisar que a filhota te veja achegar ca ropa ao pelo! Mas a filhota tem tado ca sempre tao de fugida tao de fugida que nao comenta. mas qt for para a descasca (depois da semana que vem) deixas de tar meio aluado! e faxfavor de ter planos que essa treta de viver um dia decada vez e para quem tem preguiça de olhar para a frente e tem paizinhos que os sustentam/boa conta bancária. Mas a descasca vem depois :P Que coisa... Viol~encia doméstica obrigara filha a refilar... ela que é uma moiça tão reservada e sossegada! :)

See you...

sexta-feira, 20 de junho de 2008 às 15:58:00 WEST  
Anonymous Anónimo said...

Só tu te tornas ridículo a expor coisas pessoais tuas e por consequencia de outra pessoa. E a pessoa nao se envergonha de nada porque quem se deve envergonhar nao é ela...

Um beijo ao Tiago por ser tão sábio...

domingo, 27 de julho de 2008 às 23:30:00 WEST  
Anonymous Anónimo said...

senhor(a) anónimo,ele nao está a expor a vida de ninguem,nao nomeia nomes muito menos fala concretamente... este blog é dele

domingo, 6 de dezembro de 2009 às 22:39:00 WET  
Blogger Anjo Imperfeito said...

Este comentário foi removido pelo autor.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009 às 23:21:00 WET  
Blogger Anjo Imperfeito said...

Eu sei porque o anónimo disse que estava a expor a vida de alguém. E também sei que ele não é assim tão anónimo quanto pretendia. Mas não há problema. Não lhe guardo rancor por isso.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009 às 23:23:00 WET  

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